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BORDER COLLIE |
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PASTOR
OU CAÇADOR DE REBANHOS?
Por Alexandre Zilken de Figueiredo |
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MATÉRIA
PUBLICADA EM 23/10/2005 |
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foto: Alexandre Figueiredo |
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Quando se tenta
compreender o mecanismo comportamental de um cão Border Collie
diante de um rebanho não se pode deixar de constatar que há uma
grande semelhança entre a maneira que ele trabalha e o modo como
varias espécies de animais caçam, sobretudo os animais sociais que
caçam em grupos. Essa incrível semelhança não é mero acaso, ainda
que pense que essas duas atividades nada tenham em comum. De fato, a
caça quer a morte de indivíduos do rebanho, o pastoreio quer sua
proteção. Mas outro modo de encarar é que ambas ações, embora não
tenham a mesma finalidade, fazem uso do mesmo meio, do mesmo
processo preparatório que pode ser resumido em ter domínio sobre o
movimento do rebanho. Mas que importa isso aos criadores,
treinadores ou proprietários de Borders? Talvez nada. Talvez muito.
Se entender os motivos que levam nosso cão a uma determinada atitude
puder ajudar-nos ao treinamento e a condução de nossos cães, então
importa muito saber a origem e as motivações desse comportamento. |
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Como Trabalha um Cão Pastor
Border Collie? |
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foto: Alexandre Figueiredo |
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Quando se trabalha no campo, dia-a-dia, com cães de
pastoreio uma cena é recorrente: Estão no campo, mirando um rebanho
a pastar, um peão de estância e seu Border Collie. O cão olha os
animais fixamente e está ansioso, a espera o comando de seu líder.
Não espera um comando verdadeiramente, mas apenas uma liberação.
Aguarda por um som ou gesto que signifique: “Pode ir!” “Pode fazer o
que você sabe que deve ser feito!” O som ou gesto não está nem em seu
meio e o cão já o entendeu e parte rápida e violentamente,
arrancando pasto com suas patas e fazendo se ouvir o som delas
batendo energicamente sobre o solo. O cão não parte diretamente para
o rebanho e quem não sabe o que está acontecendo imagina que o ele
se perdeu de seu objetivo, que está correndo em direção errada, que
não sabe o que está fazendo. Porque o traçado de sua corrida se
afasta cada vez mais do núcleo do rebanho. Sem diminuir a velocidade
o cão olha os animais e calcula o raio da corrida. Cauteloso, atento
e rápido. Pela velocidade e postura parece uma flecha. Uma flecha
que aparentemente se dirige para um local totalmente diverso do
alvo. Mas ele esta certo. Totalmente certo. É uma corrida
estratégica. Ele está “caçando”! Aos poucos sua corrida aberta
começa a se desviar de modo a desenhar um largo círculo que tem como
ponto central o núcleo daquele rebanho. Assim ele circunda o rebanho
todo e, de repente, a corrida estanca em um ponto específico. Esse
ponto é exatamente o ponto final de uma reta perfeita que partindo
do seu líder, o peão, passa pelo núcleo do rebanho e termina no
próprio cão. É incrível! Após a grande e larga corrida o cão para no
ponto exato que acaba por deixar peão, rebanho e cão perfeitamente
alinhados. E os animais do rebanho nem o notaram. Continuam
distraída e placidamente pastando. Era esse, desde o início, o
primeiro objetivo do cão. Logo que se encontra alinhado irá dar
início ao seu segundo objetivo ao se dirigir direto ao rebanho
calmo, seguro e firme, agachado, cauteloso, olhar fixo e penetrante.
É um caçador habilidoso! A intenção agora é agrupar os animais e
fazê-los moverem-se alinhadamente em direção ao peão. Ele os está
empurrando ao seu líder. Está conduzindo suas “presas” à
“armadilha”. O rebanho tenta escapar desse alinhamento, mas o cão
impede. Alguns animais se negam a caminhar e o cão investe sobre
eles e os obriga a seguirem o trajeto que irá acabar no peão. Outros
animais do rebanho se rebelam e enfrentam o cão, mas o caçador sabe
o que fazer e, passo a passo, olho no olho, avança determinado. Os
animais rebeldes ficam inseguros, sentem o domínio do cão e cedem.
Os animais antes insubmissos se introduzem no rebanho, e o cão
relaxa. Tudo sobre controle. O rebanho acelera na direção desejada e
o cão retira a pressão. Não interessa a esse cuidadoso caçador
corridas e excitação desnecessárias e que possam por todo seu
trabalho a perder. Então, por gestos e posturas, o cão “conversa”
com os animais do rebanho. Eles “falam” a mesma linguagem, o cão
entende e se faz entender, o que o coloca em larga vantagem em
relação ao homem no modo de relacionamento com os animais a serem
manejados. |
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Border Collie conduzindo um rebanho ao seu
líder: nem rápido demais que cause estresse, nem lento demais
que
comprometa a eficiência. (fotos: Alexandre Figueiredo) |
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Ele segue a risca seu
plano e não quer falhar. Isso tudo ele faz por iniciativa própria e
sem comando algum além daquela permissão inicial do seu líder. Nessa
fase do trajeto o cão já estudou e conhece todos os animais do
rebanho. Sabe quais são os remissos, quais os rebeldes, quais os
subordinados...Os rebeldes ele não descuida. Os remissos ele
repreende com atos mais severos, com postura mais agressiva. E assim
ele vai, com autoridade, seguro, decidido, cuidadoso, eficiente. Num
determinado momento, sem comando algum, ela para. O rebanho está
encurralado entre ele e seu líder. Ele esta com satisfação,
contente. Mas não realizado. Ele queria mais. Ele sempre quer mais.
E está sempre pronto para mais. Ele é um caçador insaciável. Um
caçador que não mata. O que anima esse “caçador-pastor” é dominar o
rebanho, e sua felicidade vem disso: Recolher, subjugar e entregar
esse rebanho ao seu líder.
Embora com uso de algumas imagens um tanto literárias, é assim que
um Border trabalha. |
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Estratégias de Caça |
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E esta estratégia de caça não é original.
Lobos caçam cervos e bisões assim. Assim também agem leoas perseguindo
rebanhos de zebras e gnus. Golfinhos e orcas cercam e dirigem cardumes de
peixes para “abatedouros” de águas rasas (uma das atrações turísticas do
litoral de Santa Catarina é assistir a pesca de tarrafa feita com auxílio
de botos. Eles “arebanham” no mar cardumes de tainhas e os conduzem às
águas rasas de rios onde pescadores esperam para o “abate”). Falcões
agrupam bandos de pombos para poder evitar a dispersão e facilitar o
ataque. É uma técnica eficiente, e por isso repetida muitas vezes na
natureza. |
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Pescadores de Laguna –SC esperando os
cardumes de tainhas que os botos então arrebanhando no mar.
(foto divulgação Prefeitura de Laguna) |
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Boto arrebanhando e conduzindo para águas rasas um
cardume de peixes.
O objetivo é encurralar o cardume para poder abatê-lo (foto divulgação
Prefeitura de Laguna). |
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O homem pré-histórico observou isso e se
associou aos antepassados dos cães para caçar herbívoros. Depois, por
seleção empírica, mas direcionada, retirou um pouco da agressividade, do
desejo de matar, preservando todo o resto e obteve um cão que o ajudava a
controlar rebanhos domesticados. O caçador passou a trabalhar como pastor. |
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A seleção dos genes de comportamento feita
pela natureza (seleção natural) por milhões de anos acabou por fixar nos
animais (e muitos psiquiatras admitem que no homem também ocorre idêntico
fenômeno) tão fortemente determinadas atitudes inatas que é quase
impossível resistir a elas. Um João-de-barro, mesmo criado em total
isolamento, irá, quando for época de acasalar, construir sua casa de modo
idêntico a todos ou outros de sua espécie. Mas como ele sabe construí-la?
Como ele sabe o momento propício para acasalar? Como ele sabe a melhor
orientação para seu ninho?
Esses comportamentos foram sendo selecionados pela natureza por um sistema
que, embora simples, é motivo de muita confusão quanto aos seus mecanismos
(um fundamento genético que todo melhorista conhece é que não se criam
genes - salvo na raríssima hipótese da mutação, apenas é possível
selecionar genes já existentes). |
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É importante compreender que os animais
muitas vezes nascem “sabendo” o que devem fazer, sem que lhes sejam
ensinado. Mas esse comportamento “inato” recebe modificações e adaptações
pelo meio. Esse meio tanto pode ser a relação com outros animais de seu
grupo como pode ser o treinamento dado pelo homem. |
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Seria muito interessante olhar atentamente
um filme sobre vida selvagem que mostre como caçam os felinos. Notaremos
que muitas vezes os leões caçam em bando e de forma organizada (ver relato
no final). Sem que precisem conversar ou desenhar uma estratégia (embora
haja durante a caça comunicação entre os caçadores). Isso é possível
porque há, em um grupo de leões, determinados indivíduos que nasceram com
maior aptidão para espreitar e cercar sua caça, outros com aptidão maior
para perseguir e outros ainda com aptidão mais desenvolvida para matar.
Deste modo, trabalhando em equipe, é que caçam com mais eficiência. |
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Leoas cercando cuidadosamente um
rebanho de búfalos. Uma estratégia de caça onde cada indivíduo tem sua
função.
(Foto leoas Denver Bryan) |
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Em uma alcatéia de lobos e num grupo de
baleias Orca ocorre o mesmo modo organizado e complexo de caça cooperativa
(interessa lembrar que a seleção natural de populações mais aptas difere
da seleção natural de indivíduos mais aptos. A seleção do individuo mais
apto faz que sobreviva e procrie o individuo que reúna em si todas as
características necessárias ao seu sucesso frente as adversidades. Já a
seleção de populações mais aptas faz sobreviver o grupo que tem mais
eficiência no trabalho cooperativo, isso implica indivíduos diferentes
cumprindo funções também distintas). |
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A postura do Border Collie trabalhando é muito
semelhante a de um predador prestes a atacar sua presa. Mas o
instinto de matar está contido, parte pela seleção genética, parte
pelo treinamento. (foto Alexandre Figueiredo) |
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Na raça Border Collie se observa que
indivíduos distintos trazem fixados em seus genes comportamentos de caça
em grupo em diferentes graus e com variações suficientes para que possam
exercer as diversas funções como as que são exigidas numa caça em grupo.
Deste modo temos Borders com maior instinto de espreita (geralmente cães
com mais “estilo”, com grande mirada, mas muitas vezes “travados”, sem
iniciativa), ou com maior instinto de arrebanhar (cães mais ligeiros, com
movimentos largos, circundantes e em esquadro), ou, ainda, com
desenvolvido instinto de perseguir (com movimento direto sobre o rebanho
tentando separar uma presa) e, por fim, os indivíduos com instinto nato de
matar (cães que mordem fazendo presa, geralmente em locais fatais como
garganta e virilha). Mas apesar de algum cão ter maior tendência para uma
destas funções (pastores australianos que movem grandes rebanhos
identificam, já nos filhotes, aqueles com aptidão para trabalhar nos
costados do rebanho e aqueles para trabalhar na culatra), nada impede que
ele exerça cada uma delas com eficiência, e o homem, em sua seleção,
escolha aqueles que tenham essas aptidões equilibradas e na medida exata
para o trabalho versátil com rebanhos.
Numa família de lobos nascem filhotes de distintas aptidões, e é isso que
garante que o grupo possa caçar sempre de forma harmônica e organizada.
Numa ninhada de Border tal fato também pode ocorrer e isso tem sido motivo
de certa incompreensão por parte dos criadores. Como pode haver numa
ninhada cães com temperamentos tão distintos? A luta do criador de cães
tem sido para remodelar esse intrincado e variável conjunto de genes
herdado de ancestrais que foram submetidos a milhares de anos de seleção
natural. A tentativa é modificar a freqüência de determinados genes com
objetivo de obter o maior número de cães “perfeitos” e versáteis e, o que
é muito mais difícil, estabilizar esta nova freqüência de genes dentro da
raça. |
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Atitude de uma leoa observando e
estudando herbívoros que serão suas futuras presas. O Border estuda
um rebanho planejando seu “ataque”. (Foto da leoa: Denver Bryan.
Foto do cão:
Alexandre Figueiredo) |
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Diferentes Cães Pastores |
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Embora pertencentes ao mesmo grupo na
cinofilia, em nada se assemelham às atitudes de um cão pastor do tipo
“arrebanhador” do tipo “protetor” ou do tipo “empurrador”. Nos EUA há quem
classifique os cães pastores conforme seu estilo natural, que pode ser
basicamente de “fetching”, de “driving,” ou de“tending”. |
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O tipo “arrebanhador” é o que predomina nas
raças o Border Collie e Australian Kelpie, por exemplo. Recolhem o rebanho
e trazem ao seu líder. Podem conduzir também. E o fazem muito bem. Mas não
é (ou não deveria ser) seu instinto básico.
Seguem diversas raças com uma gradação decrescente no instinto de
arrebanhar como Pumi, Australian Shepherd, Pastor catalão, Pastor
Alemão, etc. até que temos as raças de “condução” ou “empurradores”.
O tipo “empurrador” é mais agressivo e sua vontade básica é empurrar
(conduzir) os animais tendo seu líder ao lado. São mais agressivos e menos
versáteis. Caso dos Australian Cattle Dog, Pastor Alemão e
Welsh Corgi. |
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O tipo “protetor” não se interessa em
movimentar o rebanho. Apenas está junto a eles para protegê-los de
agressores como lobos e ursos, caso das raças Maremma e Kuvasz. |
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Os primeiros são “caçadores”, os segundos
“matadores” os terceiros “defensores”. Três personalidades distintas que
podem conviver num mesmo grupo, como numa alcatéia de lobos, por exemplos.
Três funções distintas que alguns indivíduos assumem num grupo. O homem
soube selecionar e dividir esses indivíduos com essas aptidões e formaram
com eles raças diferentes. Mas que importa isso tudo? |
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Comportamento Inato x Aprendizagem |
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Tanto Glyn Jones (no
livro “A Way of Life”) quanto John Templeton (ver sua obra “Working Sheep
Dogs”), dois britânicos mestres em adestramento de Border Collies, falam
que quando soltam filhotes de Border pela primeira vez no rebanho observam
que eles podem ter basicamente três comportamentos distintos. Ou param
hipnotizados olhando fixamente o rebanho, ou partem como loucos explodindo
o rebanho e tentando morder o primeiro animal que esteja ao seu alcance,
ou circundam o rebanho tentando agrupá-los. O primeiro é do tipo que
espreita, que faz emboscada. Ele prepara o bote com paciência, a espera de
um descuido da “´presa” Mas isso o imobiliza demais. O segundo são
geralmente dominantes e querem ser os alfas, os matadores. Os terceiros
são caçadores colaboradores, querem cercar. |
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Testando filhotes de Border com 50 dias de idade: à esquerda o
filhote cercando o rebanho, à direita o mesmo filhote
espreita o rebanho agora parado.( foto Alexandre Figueiredo) |
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Todos podem ser ótimos cães de pastoreio,
apenas é preciso mostrar-lhes que a função de matador, de alfa, já esta
preenchida. Essa função é do Homem, o seu dono e líder. Depois é treinar o
cão tendo em vista o seu temperamento próprio e condicioná-lo a cumprir
sua função de colaborador. |
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Quando se observam filhotes com esses
distintos comportamentos “inatos” é preciso perceber que eles estão a
demonstrar que tipo de personalidade lhes é mais acentuada. Se de líder,
de colaborador ou de intermediário. Isso implicará no tipo de resposta que
esses cães darão quando se iniciar o treinamento. Mas não se pode esquecer
que isso é apenas uma tendência, não uma condenação. Também é necessário
testar quão persistente e robusta é essa tendência. Um cão com
temperamento de liderança pode deixar de o ser nas primeiras frustrações.
Outro, com tendência colaboradora, pode experimentar ser líder e gostar.
De uma maneira simplista diz-se que em uma matilha de lobos (ou grupo
qualquer de animais sociais) há sempre um líder, chamado alfa. Quando um
macho jovem com a tendência de liderança se confronta com esse alfa haverá
um combate. Uma simples rosnada do alfa pode abrandar sua tendência, se
for ela fraquíssima. Pode ser preciso mais, como mordidas ou luta
violenta. Talvez, mesmo machucado por ser mais fraco ou inexperiente, o
jovem não desista de ser líder e volte à carga mais tarde, insistindo. Se
um dia ele ganhar se tornará o novo alfa. Talvez acabe morto antes, talvez
desista depois de muitas lutas. Se a última hipótese ocorrer, ou ele
abandona o grupo ou se torna colaborador. Mas digamos que o grupo esteja
hierarquicamente estabilizado quando num acidente o alfa morre. Um
colaborador com tendência de líder irá tomar o seu lugar. Supondo ainda
que um pequeno número de colaboradores se perca do grupo e se veja
repentinamente sem líder. Logo um colaborador irá experimentar a liderança
e se gostar e tiver capacidade irá se tornar o alfa. Isso tudo para
demonstrar que todos podem cumprir todas as funções. Uns mais
naturalmente, outros levados pelas circunstâncias ambientais (treinamento,
por exemplo). Ter um filhote de Border com forte e robusta tendência de
liderança é ter uma provável dificuldade de fazê-lo colaborar. Mas talvez
ele tenha mais iniciativa e autonomia quando estiver trabalhando sem
comando, fora da visão do dono. Talvez ele saiba como se impor melhor aos
bois ou carneiros rebeldes, situação em que autonomia e determinação são
imprescindíveis. Não é difícil perceber que acontecerá o contrário com o
filhote que desde o início se mostra um colaborador. Neste caso incentivar
sua auto-confiança é a grande tarefa do treinador.
Cada treinador deve escolher que tipo de cão lhe convém. E cabe entender
também a personalidade do cão e saber com conduzi-la para que o
treinamento tenha sucesso. Deixar um líder solto, sem treinamento
adequado, pode fazer dele um insubordinado ou tirano. Massacrar com
exigências excessivas um filhote colaborador pode fazer dele um animal
inseguro, dependente e sem iniciativa.
Não importa tanto se um cão é matador ou arrebanhador natural. Importa
mais saber se ele tem interesse intenso no rebanho, se reage aos
movimentos dos animais e se é capaz de assumir outras atitudes quando
exigidas pelo dono, isto é, se ele se submete ao dono e se aprende com
facilidade qual sua função e como exercê-la. Alguns treinadores preferem
cães “matadores”, outros “arrebanhadores”. |
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Filhote de Border com 60 dias de dentro de seu canil
atento a animais que se movem a dezenas de metros. Será ele,
no futuro, um bom cão de trabalho?.( foto Alexandre Figueiredo) |
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Embora se possa ter uma idéia sobre o futuro
um filhote nas primeiras largadas, não se deveria nunca formar uma opinião
definitiva. O risco é pensar que um filhote, porque amarra ou ataca nos
primeiros contatos com ovelhas, será necessariamente um cão excelente. Se,
nos primeiros contatos com um rebanho um filhote fica amarando com forte
mirada, ele apenas está igual a um cão Pointer, raça que nada tem a
oferecer ao trabalho de um pastor. Se ele se mostra um cão agressivo,
tentando morder com violência, também nada se pode concluir. Um Pitbull
faria o mesmo. Mas pra que serve um Pitbull num trabalho de campo? Um cão
de pastoreio deve ser mais que uma mirada forte (power eye) e valentia.
Ele deve ser inteligente, treinável, colaborador e sobretudo ter
características peculiares dos bons cães da raça: ter bom balanço e saber
entender e aprender com o rebanho. A verdadeira potencialidade de um cão,
portanto, só pode ser realmente verificada depois de algum treinamento, e
mesmo assim é somente potencialidade. |
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Conclusão |
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Mesmo sendo de um grupo totalmente diverso
do grupo de cães de caça, o Border Collie é, em sua essência, um caçador.
Um caçador cujo instinto se encontra abrandado e desviado, parte pela
seleção, parte pelo treinamento. Porem ainda é um caçador. Por isso é
preciso cuidado para que o pastor que queremos não se torne um caçador
brutal ou um matador. A dificuldade é esta: Não deixar que prevaleça o
atávico instinto de caçador, ou pior, de matador, ao mesmo tempo em que
não se deve deixar se perder totalmente esse instinto, a tal ponto, como
freqüentemente se observa, que ele se torna um anulado, sem iniciativa,
sem objetivo, sem propósitos em suas ações. Treinar é como aplicar uma
essência curativa, uma droga, que mal dosada pode matar o paciente ou não
fazer efeito algum sobre doença. |
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Foto: Denver Bryan |
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De acordo com as
observações de Norman Carr, guarda de caça no Parque Nacional de
Kafue, norte da Rodésia (África), os leões formam grupos de 15 a
45 semelhantes de diversas idades. São liderados por um macho
que se impõe vencendo seus companheiros pela luta.
O macho líder é responsável pela manutenção da estrutura do
grupo e pela coordenação das ações de caça aos outros mamíferos
de médio e grande porte (antílopes, búfalos, gnús, zebras,
etc.). Quase sempre, a caça é o resultado de uma ação planejada
e levada a efeito por um grupo de várias leoas e o leão líder.
Norman relata que por várias vezes observou um leão líder
postar-se imóvel tendo o vento seguindo dele para um grupo de
antílopes reunidos pastando na savana. Sua presença, notada
pelos antílopes, tinha a função de distraí-los do cerco
preparado por mais de uma dezena de leoas formando
cuidadosamente um círculo e vindo pelo lado oposto, sem serem
percebidas por causa da direção do vento. No momento certo o
leão salta em direção aos antílopes que assustados correm
desordenadamente em direção às leoas que freqüentemente
conseguiam caçar até dois animais. Quando essas leoas notam que
algum animal mais frágil não se isola do grupo por não conseguir
acompanhá-los, elas percebem que esse é o animal que deverá ser
abatido, então a excitação cresce assim como aflora o instinto
de matar e saltam sobre ele. Isso talvez explique porque um
Border Collie fica tão excitado quando uma ovelha se desgarra do
rebanho e muitas vezes o cão em vez de fazê-la retornar ao
rebanho acaba por tentar mordê-la. Seria o atávico instinto de
caçador? |
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Para
obter mais informações sobre a raça "Border Collie" visite o site: |
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www.caniltorena.com |
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*Alexandre Zilken de Figueiredo, proprietário do
Canil Torena, é pecuarista no Rio Grande do Sul, onde cria, treina e
trabalha com Border Collies em rebanhos de bovinos e ovinos. |
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É integrante da diretoria da Associação Gaúcha de Criadores de
Border Collie, membro da Comissão Técnica de Provas de Pastoreio e
juiz de provas de pastoreio. |
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ALEXANDRE ZILKEN DE FIGUEIREDO
Canil Torena
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Venda de Filhotes e Cães Treinados
São Lourenço do Sul - RS / Brasil
-
Tel:
(51) 3224-0961 / 9282-4963
Site:
www.caniltorena.com - E-mail:
azfigueiredo@terra.com.br |
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