|
BORDER COLLIE |
| |
|
NEM TODO BORDER
COLLIE É UM BORDER COLLIE.
Por Alexandre Zilken de Figueiredo -
www.caniltorena.com |
| |
|
Embora a exata origem
do cão seja incerta, não há dúvida que ele descende de uma ou de
poucas espécies de canídeos (lobos e chacais?) muito similares. A
partir deles o homem acabou criando diversas raças que têm se
modificado e se ramificado desde a domesticação. Tão grande é essa
diversificação que é difícil entender como animais tão diferentes
como um Mastin e um Chiuhaua pertençam à mesma espécie e descendam
de um ancestral comum. As raças caninas ainda continuam a se
modificar segundo muitos interesses, alguns lógicos e sensatos,
outros nem tanto.
Muitos criadores brasileiros do Border Collie de trabalho vêm se
preocupando com o destino da raça em nosso país. Apesar do grande
empenho que se tem feito ainda há muita confusão entre leigos, e até
mesmo entre criadores, sobre o que é a raça Border Collie, como se
caracteriza e com que valores ela deve ser selecionada. Esse artigo
visa expor algumas questões importantes, procurando lançar uma
semente de discussão entre os aficionados desta raça extraordinária. |
|
|
|
O QUE É UMA RAÇA? |
|
|
|
Para melhor estudar e compreender os seres
vivos o homem os tem organizado em grupos (Filogenia) em escala dos mais
abrangentes aos mais particulares. Os dois grupos mais específicos são o
da espécie e o da raça.
Várias ciências fazem uso do termo “raça” para classificar um grupo
diferenciado de seres vivos pertencentes à mesma espécie. Se procurarmos,
no entanto, as definições para esse termo, veremos que há tantos conceitos
diferentes para “raça” quanto são os ramos distintos da ciência. Há,
ainda, ciências, como a Zootecnia, que convive internamente com muitas
definições diferentes para esta palavra. Definir o que é uma raça tem
sido, portanto, um grande e insolúvel problema para os cientistas de
diversas áreas.
Uma coisa, porém é certa: raça é uma definição puramente CULTURAL.
Um ser de uma espécie é BIOLOGICAMENTE distinto de outro de outra espécie.
Há entre eles uma barreira reprodutiva (não é possível a reprodução entre
espécies, salvo raros e conhecidos casos).
Já esta separação entre grupos raciais não existe, biologicamente falando.
Só por uma convenção cultural se pode separar as raças. Mesmo nas “raças
naturais” essa separação não ocorre de forma clara suficiente para
determinar uma indiscutível conclusão. Os cientistas, estudiosos ou
criadores é que decidem, por escolha subjetiva ou por conveniência, quais
grupos de seres de uma mesma espécie querem agrupar em raças. |
|
|
|
CURIOSIDADES SOBRE A
DEFINIÇÃO DE RAÇA |
|
|
|
Alguns casos curiosos podem deixar bastante
clara essa condição absolutamente cultural do conceito de raça.
Nos eqüinos existem ao menos quatro raças cuja exigência para registrar
novos animais é ter uma determinada pelagem. São, entre outras, a
Apalloosa, a Paint Horse, a Palomino e a Pampa. São raças, sem dúvida, pis
são assim reconhecidas e mantêm registro próprio. Mas o que pode
surpreender alguns é o fato de um mesmo cavalo poder ser registrado ao
mesmo tempo como Quarto de milha, como Paint Horse e como Pampa e,
portanto, pertencer a três raças diferentes. E qual seria a “verdadeira”
raça de um cavalo assim? Não há! Simplesmente por que não existem “raças
verdadeiras”. Há tão somente convenções.
O mesmo caso ocorre com cães das raças American Pitbull Terrier e American
Staffordshire Terrier. Em 1972, uma dissidência entre criadores
norte-americanos (entre os que gostavam de rinhas e os que gostavam de
mostras de “beleza”) acabou por criar duas novas raças e alguns cães foram
registrados em ambas. Um mesmo cão com duas raças! |
|
|
|
 |
|
Os cães acima pertencem a duas raças
diferentes ( American Staffordshire Terrier e Pitbull Terrier), mas suas
aparências não permitem saber qual animal pertence a qual raça. A
avaliação da aparência externa é muitas vezes inútil para diferenciar
raças (fotos Wikipedia). |
|
|
|
Também interessante é o caso da raça Pastor
Belga, só que no sentido oposto: Nela há 4 variedades muito diferentes
entre si (Groenendael, Laekenois, Tervueren e Malinois), mas são todos,
para efeito de registro, Pastores Belgas. São todos da mesma raça (embora
alguns paises mantenham registros separados). Um Pastor Belga da variedade
Tervueren pode ser freqüentemente confundido com uma pastor Alemão, pela
extrema semelhança visual entre eles. Já um Pastor Belga da variedade
Laekenois é tão diferente da variedade Groenendael que ninguém que não
seja profundo conhecedor pode identificá-los como pertencentes a uma mesma
raça.
O que decide a que raça um determinado cão pertence? Não é com certeza a
natureza. É o homem, por puro desejo, por vontade, por conveniência ou
interesse, não em respeito a uma hipotética lei natural. Os homens decidem
que características um determinado animal precisa ter para pertencer a uma
raça. Pode ser simplesmente pela aparência física geral (Ovelheiro
Gaúcho), pela ascendência(Pastores Belga) ou pela “aptidão funcional”,
como é o caso do Border Collie. |
|
|
|
 |
|
As diferenças entre estas três
variedades da raça Pastor Belga impressionam tanto que alguns paises
resolveram manter registros separados para cada uma (fotos Wikepedia). |
|
|
|
COMO AS COISAS
INICIARAM |
|
|
|
A definição mais genérica e recorrente para
o termo raça é: Grupo de animais de uma mesma espécie que possuem
características comuns e, em alguma medida, diferentes de outros
indivíduos da mesma espécie, e que são capazes de transmitirem essas
mesmas características aos seus descendentes.
Para que esses grupos mantenham essa distinção devem permanecer isolados
naturalmente (por motivos geográficos, p ex.) ou artificialmente (pela
intervenção humana).
Um grande erro (e apesar de grande está consolidado em certos grupos) é o
de classificar as raças tão somente por sua aparência (outro erro comum
entre “criadores” de cães é confundir os termos aparência, morfologia,
fenótipo e biótipo. Palavras que não são sinônimos e que indicam coisas às
vezes muito diferentes).
Historicamente a separação se dava pela aptidão funcional. Na Antigüidade
(antes de cristo) já haviam escritos que agrupavam os cães em cães de
guarda, cães de rastro e corredores. Com o tempo e progressivamente, se
passou a reproduzir variedades regionais que se tornavam novas raças com
especialidades um pouco mais restritas, mas ainda com ênfase nas
habilidades funcionais.
Foi somente no séc. XX que a aparência passou de mero acaso a valor
principal da criação, em detrimento da funcionalidade. |
|
|
|
UM SIMPLES DETALHE QUE
VIROU PRINCIPAL |
|
|
|
Robert Bakewel é considerado o pai da
moderna zootecnia (foi a partir de seus trabalhos que todas as raças
modernas de gado se formaram). Durante o século XVIII ele selecionou, com
base em critérios puramente funcionais, bovinos de sua região com
desempenho superior, e os reproduzia entre si, mantendo rigorosas
anotações sobre antepassados e produtividade. Foi o primeiro pecuarista a
fazer isso metodicamente usando largamente a consangüinidade para
conseguir homogeneidade em seus animais.
De seu trabalho resultou no maior salto em seleção artificial de animais
domésticos que a humanidade já experimentou. |
|
|
|
 |
|
Acima
se pode
avaliar
o
resultado
de uma
seleção
criteriosa
baseada
apenas
na
performance
produtiva.
Os
dois
animais
acima
são
exemplares
de
raças
primitivas britânicas
que
deram
origem
às duas
raças
abaixo,
Aberdeen e Shorthorn,
respectivamente
(fotos
Wikepedia). |
|
|
|
Era natural que os descendentes de um
reprodutor herdassem, além das características funcionais buscadas por
Bakewel, também as características externas como comprimento de chifres,
cor do pêlo, pigmentação de mucosas, etc. Essa relativa similaridade na
aparência de seus animais em nada interessava a ele.
O sucesso desta metodologia no incremento da produtividade dos rebanhos
estimulou outros pecuaristas a manterem registros dos seus animais
funcionalmente mais destacados.
Não demorou muito para que animais com pedigree já valessem muito mais que
aqueles sem controle algum, por terem garantia de uma linha de ascendência
com produtividade superior e conhecida. Com a ganância de alguns, o
mercado de animais sofreu uma enxurrada de pedigrees falsos. Em uma época
de pouca comunicação e de registros não confiáveis a solução encontrada
pelos pecuaristas foi criar associações e definir um “Standard” (padrão
racial) para que os animais de uma mesma linhagem fossem externamente
semelhantes e, portanto, facilmente reconhecíveis ao primeiro olhar.
Sabe-se que os pais transmitem suas características à prole. A aparência
externa era um indício forte de que determinado animal viesse de uma
criação específica. O objetivo do Standard era garantir a origem dos
reprodutores e estabelecer um “selo de origem” ou seja, um “selo racial”.
Com o tempo, o que era um acidente, um fator secundário, passou a ser
fator primordial de seleção. Erro que somente no final do século passado
começou a ser percebido e compreendido por pecuaristas do mundo todo.
Hoje é cada vez maior o número de pecuaristas que reconhecem esse equívoco
e valorizam os reprodutores por características funcionais (ganho de peso,
perímetro escrotal, libido, rendimento de carcaça, prolificidade e etc),
sendo que o respeito ao Standard das raças objetiva tão somente
estabelecer “selo racial”, função puramente econômica de proteção aos
criadores. O reconhecimento deste erro (supervalorização da aparência)
infelizmente ainda não se deu entre os criadores de cães.
|
|
A FUNCIONALIDADE É
TRANSMITIDA AOS DESCENDENTES COMO A COR DO PÊLO |
|
|
|
As mesmas leis genéticas que determinam a transmissão de características
externas (aparência) definem as aptidões funcionais. A diferença é que se
pode ver com muita facilidade o resultado da herdabilidade das
características externas e pouquíssimas são as características funcionais
possíveis de serem percebidas pela visão. A maioria depende de testes
funcionais (provas de velocidade, de ganho de peso, de aptidão para
trabalho, de força muscular, de docilidade, de resistência, etc.).
No passado todas as raças de cães, como de resto todos os animais
domésticos, surgiram por diferenças funcionais e não de aparência. Cães
pastores se distinguiam dos galgos não porque eram peludos e robustos, mas
porque tinham instinto e aptidão pra pastorear. Já os galgos eram
selecionados e procriados por serem velozes, terem uma visão privilegiada
e um desejo enorme de perseguir animais silvestres, e não por serem altos
ou terem pelo curto.
Mas hoje se chegou a tamanho absurdo de supervalorização estética que o
que importa para a maioria dos criadores de um cão de caça não é ele ter
aptidão para caçar, mas a posição de sua orelha. O que tem valor num cão
de guarda não é sua valentia ou segurança, mas o perfil do seu “stop”
(curvatura que une o focinho à testa). |
|
|
|
 |
|
Raças que se tornaram caricaturas de
si próprias. Alguém pode imaginar estes exemplares de raças de pastoreio
alcançando uma ovelha em meio a banhados ou pastos sujos?Quem teve contato
com estas raças sabe que não possuem nem temperamento nem aptidão física
para tal (fotos Wikipedia). |
|
|
|
Outro equívoco é tentar estabelecer a
potencialidade funcional de um animal pela simples avaliação morfológica,
como muitos crêem (esse é o argumento que usam aqueles que defendem os
concursos morfológicos). Uma experiência curiosa e muito conhecida foi
feita em uma das maiores exposições de gado leiteiro do Brasil: um criador
deixou lado a lado, durante toda a exposição, 5 vacas leiteiras com
produção de leite conhecida e ofereceu um prêmio para qualquer pessoa,
especialista ou não, que ordenasse as vacas por ordem da mais produtiva à
menos produtiva a partir apenas do exame morfológico dos animais. Ninguém
conseguiu o premio!
Claro que um animal de corrida que tenha pernas curtas e seja muito pesado
nunca poderá ganhar de um animal alto, de corpo leve e atlético, assim
como um animal leve e desprovido de boa musculatura não será um bom animal
de tração pesada. Essas avaliações nunca se aplicariam aos cães Border
Collie, pois nos casos citados a aptidão é considerada sob um único
aspecto, velocidade (nos animais de corrida) e força (nos animais de
tração pesada). Já um cão de trabalho com rebanho deve ter um grande rol
de habilidades: velocidade, agilidade, resistência, coragem, inteligência, treinabilidade, audição, concentração, senso de rebanho e muitas mais. Não
é possível, portanto, fazer um exame da presença ou não destas qualidades
em um cão sem que se o submeta a uma prova de trabalho. |
|
|
 |
|
Acima se vêem três cães puros da raça
Border Collie que podem surpreender quem espera um respeito restrito ao
padrão oficial.
O cão do meio é campeão europeu de pastoreio (fotos ISDS Border Collie
Database). |
|
|
|
TRAÍDOS PELA BELEZA |
|
|
|
O maior argumento encontrado
para defender um padrão racial a partir da aparência externa é o de
preservar uma raça para que ela não perca suas características originais
ou se desfigure por cruzamentos inter-raciais ou por falta de parâmetros
de orientação, de modo a ser reconhecida e identificada. Mas será que é
esse o resultado obtido? Será que o Bulldog está sendo preservado? É
possível reconhecer no Dogue Alemão o mesmo hábil caçador de ursos do
passado? Um Daschound ainda se mantém apto física e mentalmente para caçar
texugos? Evidente que não? Mas então o que se pretende conservar e
proteger?
O apego a uma falsa estética, sob a justificativa de serem esteticamente
refinados, acaba por criar “cães de enfeite”, que, ao cabo, se tornam
incapazes mesmo de reproduzirem-se sozinhos (Bulldog) ou cumprir suas
funções básicas (O Afghan Hound era um corredor de gazelas e o Yorkshire
caçador de coelhos!). |
|
|
|
 |
|
Estes exemplares pertencem a raças de
caça ou de combate. Suas morfologias se tornaram tão exageradas (hipertipos)
que eles não possuem mais nem aptidão nem condições físicas para fazer o
que originalmente faziam e que justificaram a criação destas raças. Na
realidade, hoje, exemplares destas raças mal conseguem se locomover,
alguns nem se reproduzem sem assistência cirúrgica de um médico
veterinário. |
|
|
|
Que características então distinguem um cão
Border Collie de um cão de outra raça? Será a cor da pelagem? Será o
tamanho do pelo, o formato do crânio, a posição das orelhas, como está
definido no padrão da raça da CBKC? Claro que não! Nem são essas as
características que importam. A única coisa que importa é a aptidão para o
pastoreio. Mas então por que o Standard oficial da raça Border Collie
sequer entra nesse “detalhe”. |
|
|
|
 |
|
Um Border Collie de exposição de
beleza e um Border Collie de trabalho. São completamente diferentes, mas o
segundo cumpre sua finalidade (trabalho com rebanhos) e o primeiro
provavelmente não. Qual o Border Collie “verdadeiro”?
(primeira foto Wikepédia, segunda do autor). |
|
|
|
As raças estão sendo cada vez mais
descaracterizadas e tendo suas qualidades funcionais destruídas (Bulldog,
Afganhound, Old English Sheepdog, Dinamarquês, Galgo Italiano e Sharpei
são exemplos eloqüentes).
Um Labrador é (ou era) um cão de recuperação de caças. Ele foi
desenvolvido para buscar caças mortas ou feridas, sobre tudo em locais
alagados. Para isso ele deve gostar de água, ser ativo, rápido. O que se
vê, entretanto, nos criatórios modernos dessa raça, é a busca de uma
extrema aproximação ao Standard, sem nenhum cuidado com o temperamento ou
aptidão funcional. Um macho irá reproduzir se for “best in show” mesmo que
tenha medo de água, ou seja, um preguiçoso ou desobediente ou um que tenha
uma alta tendência à obesidade. Inversamente, um macho que seja excelente
nadador, ágil e muito obediente, não irá reproduzir se tiver uma
pigmentação inadequada, ou uma orelha um pouco mal posicionada. |
|
|
|
 |
|
A cima temos Labradores sendo avaliados em
sua aptidão funcional, abaixo temos a avaliação de animais da mesma raça
segundo critérios de “beleza”. Acima temos como resultado cães hábeis e
saudáveis, abaixo o resultado são animais obesos e sem aptidão alguma,
“caçadores” que sequer caminham com desenvoltura (fotos de cima retiradas
do site www.srkennel.com, abaixo do site www.unitedretrieverclub.co.uk) . |
|
|
|
Também um filho de dois Rotweillers registrados que nascesse com pelagem
comprida ou manchas brancas pelo corpo ou orelhas em pé, deveria ser
registrado como Rotweiller? Certamente não. Entretanto um Border Collie,
filho de pais registrados, que nascesse sem nenhuma aptidão ou gosto por
trabalho de pastoreio (apático diante de um grupo de ovelhas, sem senso de
rebanho, que late para os animais, etc.) seria registrado se tivesse a
aparência da raça. |
|
|
|
UM "BORDER COLLIE" DE
OUTRA RAÇA |
|
|
|
Uma situação curiosa (ou desastrosa) pode
ser causada pelas semelhanças que podem haver entre raças completamente
distintas. Há uma raça muito parecida, em seu aspecto, com a raça Border
Collie: a raça “Karelian Bear Dog”, cão de origem russa caçador de lobos.
Pois, bem, se um cão puro desta raça fosse apresentado como Border Collie
à algum
técnico da CBKC receberia registro provisório como Border Collie! Não é
preciso dizer mais nada. |
|
|
|
 |
|
Exemplares que se apresentados ao
CBKC obteriam, sem dúvida, registro provisório como cães da raça Border
Collie. Ocorre que estes animais acima são cães puros de outras raças:
Kerelian Bear Dog , Russian Laika, Staby Hound e Alaskan Husky,
respectivamente (fotos Wikipédia). |
|
|
|
Classificar um cão como pertencente ou não a
raça Border Collie avaliando apenas seu aspecto exterior é simplesmente
impossível. Não se poderia excluir nem incluir um cão qualquer na “raça”
Border Collie sem que antes se o observasse trabalhando. E mesmo assim só
experts poderiam ter uma idéia justa sobre sua aptidão para o trabalho. Os
registros dos clubes cinófilos dizem apenas que um cão é filho de dois
outros cães que foram registrados. E, em alguns casos, nem isso, como
ocorre com o combatido “registro Provisório” (registro de cor verde)
concedido pela CBKC a cães sem origem conhecida. Esta agremiação ainda
mantém uma modalidade de registro que inscreve um cão em seus livros como
pertencente à raça Border Collie depois de uma simples olhada em seu
exterior, e ainda feita por uma pessoa não especializada. Um vira-lata,
que não possui nenhum antecedente registrado, e que absolutamente nada tem
de Border Collie, pode receber registro! Com certeza absoluta, muitos cães
puros, importados da Inglaterra, com alta performance de trabalho, não
passariam nessa inadequada e espantosa avaliação. Isso é um verdadeiro
escândalo que só prejudica o desenvolvimento da raça. |
|
|
|
 |
|
Só um destes cães é um verdadeiro Border Collie. O
primeiro é um Border Collie puro, campeão Europeu Continental de provas de
pastoreio, o segundo é um cão puro da raça Kerelian Bear Dog ( foto
www.bordercollie.nl.com e Wikipedia). |
|
|
|
PROVAS DE BELEZA X
PROVAS DE TRABALHO |
|
|
|
A 1ª exposição de cães no mundo ocorreu em
Londres no ano de 1861, seguida da exposição de Paris em 1863. Só depois
disso, em 1873 foi fundada a 1ª associação de criadores. O Kennel Club de
Londres(KC).
Vê-se que as raças só tiveram estabelecidos seus standarts e organizados
seus registros muito recentemente. Depois disto, as pessoas passaram a
criar cada vez mais raças novas a partir de variedades de uma mesma raça
já existente. Só nos últimos 50 anos, segundo a FCI, o número de raças
oficializadas simplesmente triplicou. Hoje somam mais de quatrocentas
raças no mundo.
Além da criação de novas raças, as raças antigas avançaram para os
hipertipos e abandonaras a funcionalidade. Hipertipo é o avanço da seleção
para aumentar a expressão racial, de modo exagerado, até chegar a uma
caricatura da raça originária. Os Buldogues foram se tornando mais baixos,
mais retacos e mais cabeçudos (a ponto de não se reproduzirem nem dar cria
sem a intervenção do homem), os Daschuhund mais compridos (incapaz de
sustentar a própria coluna, quanto mais caçar animais velozes), os
Komodors e Old English Sheepdogs mais peludos (um exagero que simplesmente
os impede de pastorear, pois a pelagem atrapalha totalmente os
movimentos), os Pinchers mais miniaturizados. |
|
|
Por outro lado, há um pouco mais de sensatez
onde nem tudo é só aparência.
Provas de trabalho também têm surgido e aumentado sua popularidade, que
dando o justo valor às aptidões naturais de cada raça. |
|
|
|
 |
|
Felizmente ainda há criadores que
selecionam cães que preservam as aptidões originais. Para isso se valem de
provas de trabalho: prova de proteção, tração, faro e velocidade. (4
primeiras fotos Wikipedia, última de Thorbes Moreira). |
|
|
|
Embora antigas (a primeira foi em 1873, na
cidade de Bala, Pais de Gales) as provas de pastoreio tem crescido no
mundo todo, bem como as provas de Field-trial (cães de aponte), escavação
de trufas, corrida de lebres (com Galgos), Provas de ringue (cães de
proteção), provas de obediência, provas de faro e corrida de trenós, entre
outras. Estas competições são adequadas e úteis ferramentas de avaliação
de funcionalidade que os criadores e treinadores fazem uso para concluir
sobre qual genética e qual técnica de treinamento são as mais eficientes.
Criam-se condições uniformes para que o desempenho dos animais sejam justa
e devidamente julgados. Os resultados destas provas de trabalho são
incluídos nos pedigrees dos cães em quase todos os paises.
Interessante é constatar que nos registros brasileiros emitidos com
exclusividade pela CBKC, não permitem espaço pra nenhuma anotação sobre
provas de aptidão, ao passo que os resultados das provas de beleza são
acrescidos e ressaltados nos registros. O mais importante em uma raça de
trabalho, que é a comprovada aptidão do cão e de seus ascendentes, para a
função a que se destina, não é homologado e sequer se permite informar no
registro nacional. Já qualquer premiação recebida por um cão em uma prova
de beleza é sempre anotada em seu pedigree. |
|
|
|
 |
Onde se pode avaliar o valor de
um Border Collie? Nas mostras de “beleza” ou nas provas de trabalho?
( primeiras fotos do site www.freewebs.com, última de Thorbes Moreira) |
|
|
|
Muitos criadores de Border Collie ficam
constrangidos quando são procurados por pessoas que desejam adquirir
filhotes “bonitos”. Não que um Border bom de trabalho não possa ser
bonito, mas já é tão difícil conseguir produzir um ótimo cão de trabalho
que esperar que ele também seja “bonito" soa aos criadores como um
contra-senso. |
|
|
|
NEM TUDO SE PERDEU |
|
|
|
Só o esforço consciente de criadores sérios
e comprometidos com o verdadeiro Border Collie de trabalho é que irá
garantir, para o beneficio da produção pecuária, a perpetuação e o
aprimoramento desta raça, considerada a mais inteligente, mais eficiente e
mais trabalhadora de todas as raças.
Por fruto de muito trabalho dos criadores dedicados foi, por intermédio
das recém fundadas AGBC (associação Gaúcha de Border Collie), ABBC
(Associação Brasileira de Criadores de Border Collie) e APPAS (Associação
Paulista de Pastoreio), celebrado um convênio destas entidades com a maior
e mais respeitada associação de Border Collie de trabalho do mundo, a ISDS
(International Sheep Dog Society), sediada no Reino Unido, a fim de serem
emitidos registros da própria ISDS para cães brasileiros que sejam de
origem conhecida e demonstrem alto desempenho em pastoreio. Para fazer jus
ao registro da ISDS, cães da raça Border Collie terão que ser avaliados e
aprovados previamente por um “expert” britânico durante uma prova de
pastoreio. |
|
|
|
Essa ação é um grande passo em prol do
verdadeiro Border Collie de trabalho! |
|
|
|
COMO DEVERIA SER O PADRÃO DA RAÇA BORDER
COLLIE: |
|
|
|
 |
|
Border Collie
puro participando de provas de trabalho. Sua postura diz muito mais de sua
“pureza racial” que sua aparência exterior, que neste caso está em total
desacordo com o padrão oficial (foto Thorbes Moreira). |
|
|
|
Hoje o padrão oficial (Standard) da raça
Border Collie contém apenas características externas, sem se ater ao que
realmente importa, sua funcionalidade. Abaixo segue uma idéia de como
deveria ser o Standart para identificar o verdadeiro Border Collie. |
|
|
|
Inteligência
Muito inteligente, facilmente treinável, assimilando rapidamente os
ensinamentos do treinador, assim como aprende constantemente com suas
próprias experiências enquanto trabalha, adquirindo capacidade de prever e
se antecipar aos movimentos e ao modo de agir de cada animal de um
rebanho. |
|
|
|
Instinto
Cão com grande iniciativa, decidido e corajoso. Tem um desejo inato e
irresistível, desde muito jovem, para trabalhar com qualquer animal,
sobretudo com rebanhos.
Vontade de agrupar e parar os movimentos do rebanho e bloquear a fuga dos
animais que querem abandonar o grupo. |
|
|
|
Temperamento:
Extremamente atendo ao que acontece ao seu redor. Muito dócil e apegado ao
dono, mas preferindo sempre o trabalho ao seu condutor. Concentrado e
inquieto, possui uma avidez incomum para trabalhar com animais, exigindo
treinamento específico para ter seus instintos de trabalho controlados
adequadamente. |
|
|
|
Padrão de Trabalho:
Totalmente silencioso, sem latir quando está trabalhando, olhar muito
concentrado e forte sobre os animais, com o qual os domina.
Rabo sempre baixo entre as pernas e corpo agachado como um predador quando
se aproxima do rebanho. Possui um grande senso de distância capaz de
movimentar ou parar os animais de acordo com sua vontade ou comando do seu
condutor de modo a causar o menor estresse possível fazendo com que o
rebanho tenha o deslocamento apenas necessário para cumprir a tarefa
desejada. Demonstra ter leveza, precisão, decisão e autoridade capazes de
dominar grandes ou pequenos animais, dosando suas atitudes de acordo com a
situação. Trabalha eficientemente por iniciativa própria ou totalmente
submisso aos comandos do condutor. |
|
|
Aptidão Física:
Ágil, muito veloz, com grande resistência muscular e aeróbica. |
|
|
|
Para
obter mais informações sobre a raça "Border Collie" visite o site: |
|
|
|
www.caniltorena.com |
|
|
|
|